Bellucci como nunca vimos antes

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Copa Davis, no Brasil, Thomaz Bellucci em quadra. O jogo está 2 a 0 e de repente um festival de erros e trocas de quebras permite uma virada, com o jogo terminando 3 a 2. Sinceramente, não seria nenhuma surpresa dado o histórico negativo do nosso melhor tenista brasileiro em jogos longos, válidos pela Davis e no Brasil, se o colombiano Alejandro Falla teria saído do jogo vencedor. Mas não, o que aconteceu em São José do Rio Preto, foi algo inesperado. Pela primeira vez na carreira, Bellucci conseguiu reverter um placar de 2 a 0 e evitou um desastre brasileiro na Copa Davis.

A derrota de João “Feijão” Souza para Santiago Giraldo era esperada, mas imaginava que poderia ter alguma resistência maior e não uma derrota fácil por 3 a 0. O que me faz perguntar o por que de declarações do tipo “tenho guardado um saque secreto” para o jogo, para no dia seguinte dizer que “não consegui sacar do jeito que imaginava”. São coisas que não valem para nada e sinceramete só criam expectativas totalmente irrisórias, que sinceramente não fazem sentido num esporte profissional.

O jogo de duplas hoje vai ser extremamente decisivo. Infelizmente não existem favoritos. Melo e Soares foi uma dupla que funcionou um pouco no ano passado, terminando em décimo lugar no ranking de equipes, mas Juan-Sebastian Cabal foi finalista de Roland Garros ano passado e Robert Farah é especialista em duplas. Os brasileiros também desfizeram a parceria no fim do ano passado e esperamos que não haja nenhum resquício de brigas ainda, além deles não viverem um bom momento com outros parceiros.

No quarto jogo, Bellucci provavelmente estará exausto. Lembremos da vitória de 5 sets contra Rohan Boppana na Índia em 2010 na sexta e no abandono diante de Somdev Devvarman. E finalmente temos ainda um Feijão que pode se redimir diante de um Falla cansado. Depois de três confrontos em que a ida ao Grupo Mundial escapou (2 confrontos teoricamente fáceis contra Equador em casa e Índia e match points perdidos contra a Rússia), parece que desta vez caímos mais um degrau. O tênis brasileiro não estava tão desacreditado desde 2008, provavelmente.

 

Grupo Mundial A Espanha comprova ser o time a ser batido no momento. Com 3 tenistas no top12 e 2 no top5, consegue também sobreviver com outros coadjuvantes em qualquer confronto no saibro. O time austríaco não tem um jogador que consiga fazer frente ao segundo jogador espanhol do duelo, o mediano mas eficiente Nicolas Almagro. E a dupla com Marcel Granolles e Feliciano Lopez (ótimos jogadores em simples também) é sempre eficiente. Um 5 a 0 bem tranquilo se anuncia.

No confronto entre França e EUA os 2 times tiveram baixas consideráveis. Gael Monfils teve que abandonar e deu lugar a Gilles Simon, enquanto o top10 Mardy Fish também saiu e Ryan Harrison entrou no time. Obviamente os americanos tiveram a pior troca, mas não podemos esquecer do poder de Simon em perder jogos nos quais é obviamente favorito. Tsonga passou fácil por Harrison enquanto Gilles também não foi páreo para Isner. Os irmãos Bryan no momento caminham para uma vitória fácil e esperada sobre os franceses (estão liderando por 2 a 0 enquanto eu escrevo). Isner no saibro é uma ameaça forte (quase ganhou de Nadal na primeira rodada de Roland Garros em 2011), e pode se tornar um dos grandes nomes do circuito nesta temporada de saibro. Com a vitória de Tsonga, o caminho francês passa a ser um tanto fácil, já que tanto Simon quanto o reserva Julien Benneteau que pode ser escalado são amplamente favoritos contra o jovem Ryan Harrison.

 

Uma vitória francesa pode causar emoção na semifinal da Davis, já que receberiam os espanhois em Clemont-Ferrand, e num piso sintético fechado podem se tornar favoritos. Já a Espanha recebendo os EUA dependeriam de uma grande atuação de John Isner que teria de ganhar de Nadal em plena Espanha. Pode ser o coroamento de um grande ano do americano, mas me parece um tanto difícil imaginar este cenário.

Na definição do outro finalista, República Tcheca e Sérvia, como esperado, terminaram o dia empatados. Tomas Berdych passou pelo irregular Viktor Troicki, mas Janko Tipsarevic teve que sobreviver a uma batalha de mais de 5 horas diante de Radek Stepanek que saiu irritado, sem comprimentar o adversário e ainda lhe “dando” o dedo do meio. Pode ser desastroso essa derrota mental para o quinto jogo diante de Troicki, que é conhecido por seus fracassos em quadra, mas me parece ser o favorito. Mas para que o quinto jogo aconteca, ainda acredito ser necessária a vitória sérvia nas duplas, já que Berdych deve atropelar um cansado Tipsarevic. Os tchecos contam com seus jogadores de simples, o que pode acarretar num equilibrio maior para o domingo, mas a vantagem ainda me parece estar com os donos da casa.

Já no primeiro jogo entre Argentina e Croácia, Marin Cilic surpreendeu David Nalbadian num jogo recheado de erros não-forçados. Juan Martin Del Potro que passou mal o dia inteiro e era dúvida conseguiu passear diante de Ivo Karlovic, e o time sul-americano ainda parece estar com uma confortável dianteira.

A Argentina será sede da semi-final e de uma possível final, não importa o adversário. Pode ser uma boa chance de avançar a final, especialmente se escapar de uma semi-final contra a Sérvia de Djokovic. Se os argentinos continuarem bem, com a grande fase de Juan Monaco, a garra de David Nalbadian e o possível retorno de Juan Martin Del Potro a sua fase de 2009, podem ser considerados favoritos, mesmo diante do time sólido francês ou da Espanha de Nadal e Ferrer. O que seria o coroamento de um dos grandes países do tênis, que teve sempre dezenas de jogadores no top10, mas nunca conseguiu erguer a Copa Davis.

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2 Respostas to “Bellucci como nunca vimos antes”

  1. Suzana Says:

    E não foi só esse jogo do Bellucci q foi lindo! O rapaz tá levando a sério esse coisa de fingir q sabe jogar, hehehehe… Agora a gente pega o Chile, é isso? Acho a Davis um pouco confusa, hehe…

  2. Mateus Nagime Says:

    Não, a Rússia! É assim, os 8 times que perderam na primeira fase e os 8 times que se classificaram nesse I zonal (4 da europa/africa, 2 asia/oceania e 2 america) se enfrentam em setembro. Tem 8 cabeças de chave (de acordo com o ranking), o Brasil nao é um deles. Ai rolou sorteio e pegamos a Russia, em casa!

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