Uma vitória memorável de Bellucci

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É na segunda rodada que os principais favoritos entram em cena nos Masters e como se diz, começa pra valer, ainda mais num evento como o de Monte Carlo, com 48 participantes, em que a terceira rodada já define os quadrifinalistas. Teria tudo para ser uma rodada sem nenhum tropeço digno de nota, se não fosse a vitória de Thomaz Bellucci para cima do espanhol David Ferrer, sexto melhor do mundo e melhor ranqueado.

Vitória contudente, diga-se de passagem. O brasileiro começou os dois sets já quebrando e em nenhum momento sofreu ameaça séria, sendo que ainda perdeu várias quebras. Quem viu o jogo, afirma que o melhor Bellucci entrou em quadra, aquele que ameaçou a supremacia de Djokovic em Madrid, que esteve muito perto de ganhar de Federer em Indian Wells, o tenista que prometia acontecer em 2010.

Não podemos dizer que esta vitória, ou aquela da Copa Davis, é o que faltava. Bellucci já teve inúmeros momentos em que parecia que iria deslanchar, bicar o top20 e não conseguiu. Teve uma chance muito próxima disso em Roma, após a espetacular semifinal em Madrid, e bastaria uma vitória contra o italiano Paolo Lorenzi e dois resultados favoráveis (que não aconteçeram). Mas o homem que tirou de quadra tão categoricamente Andy Murray e Tomas Berdych e dominou Djokovic por um set e meio perdeu para alguém de fora do top140.

 

Por isso, todos que acompanham a carreira de Bellucci sabem que duas vitórias importantes são quase que raras na carreira. Isso só aconteceu em Santiago 2010, contra Fernando Gonzalez na semi e Juan Monaco na final e em Madrid diante dos top10 acima citados. Depois de uma quase vitória no piso duro diante do futuro campeão Federer, Bellucci perdeu facilmente para o português Federico Gil, na estreia de Miami.

 

As duas vitórias importantes esta semana (a outra, na terça diante do sul-africano Kevin Anderson, 32º do mundo) podem melhorar sua confiança. Assim, sabemos que talvez seja mais difícil para o brasileiro vencer o holandês Robin Haase, número 51 do mundo, sete posições abaixo de Bellucci. O que parece é que Thomaz joga de acordo com seu rival, uma espécie de Zelig do tênis, se adequando de acordo com o talento do adversário. Portanto uma vitória diante do vice-campeão de Monte Carlo em 2011 não significa essencialmente um favoritismo nas oitavas.

 

Por enquanto, a campanha já lhe assegura uma subida de seis posições no ranking, sendo que uma vitória amanhã o deixaria temporariamente no posto de 37º do mundo. O mais importante, porém, é que daqui a duas semanas ele perderá 360 pontos de Madrid, o que o deixaria a princípio fora do top70. Uma vitória contra o holandes lhe daria 12 posições neste ranking alternativo, e na prática o deixaria bem mais próximo do corte para as Olimpíadas, que geralmente fica no top70. Ele até agora está como 13º alternativo na lista com os resultados que já valem e uma vitória nesta quinta o coloca entre os 54 classificados provisoriamente.

 

O jogo amanhã será o terceiro da quadra secundária devendo acontecer entre 9 e 10 da manhã no horário brasileiro. Para os que estiverem online não deixem de acompanhar a cobertura do twitter @belluccisbrains que é divertidíssima sempre, seja num bom ou mau momento do cérebro do jogador em quadra.

 

Enquanto isso no topo… Novak Djokovic e Rafael Nadal parecem rumos a uma nova final, a terceira seguida em um Master de saibro. O sérvio deve passar por Dolgopolov e só três (quatro?) dias seguidos inspiradíssimos do brasileiro o deixariam fora das semis. Enquanto isso Andy Murray depois da vitória contudente sobre Viktor Troicki parece estar em forma e ser o seu adversário.

Na parte de baixo, Nadal corre risco de perder o número 2 do mundo em caso de derrota para o cazaque Mikhail Kukushkin, visto que os pontos de Barcelona caem na próxima segunda. Esta é o grande exemplo entre chances matemáticas e reais que Federer tem para alcançar o segundo posto. Mas disso eu falo melhor semana que vem, depois da final em Mônaco. Nadal terá como adversário na próxima rodada Nicolas Almagro ou Stanislas Wawrinka e melhor ainda numa eventual semifinal enfrentaria ou Verdasco, ou Tsonga, ou Tipsarevic ou Simon. Seria uma surpresa enorme a ausência dele npara sua oitava final seguida no saibro monagasco.

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